|

Relatório do Café-Brasil 8
Data: 12 de Abril de 2003
Horario: 15.00h
Local: London School of Economics
Tema: Ciência e Tecnologia
Palestrantes: Dr. Paulo Wrobel (acessor de C&T da Embaixada Brasileira
em Londres), Christiano de Mattos (diretor da ABEP)
Coordenador do debate: Sérgio F. Aquino (vice-presidente da ABEP)
Alguns pontos apresentados pelo Sérgio F. Aquino
Sérgio Aquino apresentou alguns dados estatísticos sobre os projetos
que estão sendo realizados por pesquisadores brasileiros no Reino
Unido. Os dados foram coletados a partir dos 127 trabalhos publicados
no ´Livro de Resumos´ da Abep. Após a abordagem das distribuições dos
projetos segundo i) grandes áreas do conhecimento ii) sub-áreas do
conhecimento e iii) agências financiadoras, o expositor lançou para
discussão a seguinte questão: o número de bolsas por áreas esta bem
representado? Segue abaixo o resultado de sua avaliação.
1) Grandes áreas do conhecimento
Humanas 32%, Saúde 30%, Exatas 21%, Engenharias 17%
2) Sub-áreas do conhecimento
Biologia, Microbiologia, Genética = 17%
Modelos, Computação = 11%
Educação, Línguas = 10%
Gestão, Administração, Comércio exterior= 9%
Medicina, Fisioterapia, T.O, Psicologia = 9%
Economia = 7%
Oceanografia, Geografia, Climatologia = 6%
Arquitetura, Urbanismo = 6%
Química, Bioquímica = 6%
Antropologia, Filosofia, Sociologia, História = 5%
Artes = 3%
Física, Matemática = 2%
Jornalismo, Comunicação Social = 2%
3) Agências financiadoras
Capes 46%, CNPq 42%, Outros 7%, Conselho Britânico 5%
Alguns pontos discutidos pelo Dr. Paulo Wrobel
A apresentação do Dr. Paulo Wrobel abordou principalmente as diferenças
no gerenciamento e nas políticas de C&T do Reino Unido e do Brasil.
Dentre elas, o modelo descentralizado de gestão no Reino Unido e a
grande participação da indústria no desenvolvimento tecnológico do país
são vistos como fatores que possibilitam um maior crescimento da C&T.
No entanto, o modelo britânico não deve ser visto como o modelo ideal,
uma vez que cada país deve desenvolver seu próprio modelo considerando
a realidade econômica e social.
1) Aspectos Gerais
-Ciência é uma atividade internacional e necessita de divulgação e
contatos
-Política de C&T deve ser pensada de forma estratégica, a longo prazo
-C&T depende majoritariamente de ações do governo, de políticas e
recursos públicos
2) C&T no Reino Unido
-desenvolve 4% da Pesquisa e Desenvolvimento Científico mundial, no
entanto estão buscando cooperação com os demais países (que representam
os 96%)
-investe 1.9% do PIB em C&T (pouco comparado aos 2.8-3.0% investidos
pelos EUA); orçamento do governo para 2003-2004 conta com
£2.500.000.000 (aproximadamente 4 bilhões de dólares)
-70% do investimento em C&T são de empresas privadas, entre elas
destacam-se a indústria farmacêutica e aeroespacial
-C&T é coordenada por um Office of Science and Technology (OCT),
vinculado ao departamento que cuida da indústria, estratégico, formado
por 8 research councils que funcionam eficientemente de maneira
descentralizada.
3) C&T no Brasil
-Investe 1% do PIB em Ciência e Tecnologia
-Centralizado no Ministerio de C&T, orgão federal que vem sofrendo
modificações ao longo dos anos. Atualmente trata-se de um grande órgão
em termos físicos e de importância, mas parece não estar organizado o
suficiente. Ainda é bastante vulnerável.
-CNPq: criado em 1951, indicando que o governo brasileiro já via
naquela época a necessidade estratégica da área. No entanto, a
instabilidade financeira fez com problemas surgissem e se agravassem no
decorrer dos anos, o que reflete a atual situação delicada da agência.
-FAP´s: pioneiros na região sudeste, atualmente presente em quase todos
os estados, os que não tem estão em processo de implantação. No entanto
o sucesso das fundações depende das condições econômicas dos estados.
-Fundos setoriais: são recuros de empresas aplicados para pesquisa em
tecnologia e inovação na respectiva área, e é gerenciado por
representantes da academia, do governo e das empresas. O primeiro foi
criado em 1999 envolvendo a indústria de petróleo e gás (Petrobrás).
Atualmente são 14 fundos em várias áreas por exemplo em recurso
hídricos e transportes.
4) Relações Brasil & RU
-Um acordo de 1997 (em vigor desde 2000) foi realizado entre os
governos brasileiro e britânico envolvendo a área de Ciência e
Desenvolvimento Tecnológico. Recentemente, cientistas dos dois países
se encontraram para criar o programa de ação e estão neste momento
discutindo formas de operacionalização do mesmo.
Alguns pontos discutidos pelo Christiano de Mattos
A apresentação de Christiano de Mattos foi baseada no material
publicado do Prof. Carlos Henrique de Brito (material disponível no
site www.ifi.unicamp.br/~brito/artigos/fsp-30062002.htm e
www.ifi.unicamp.br/~brito/artigos/fsp-19042002.pdf). Sua abordagem
contou com comparações sobre a gestão, financiamento e produção
científica entre diversos países. Foi destacado o papel da indústria no
financiamento de pesquisas científicas e a consequente produção de
patentes especialmente em países desenvolvidos.
1) C&T para que?
-desenvolvimento do país
-prosperidade econômica e social
-preparação de profissionais capacitados
2) Quem deve fazer?
-no Brasil, 80% da pesquisa é realizada em universidades (na maioria
pública); envolvimento da indústria nacional praticamente se resume na
Petrobrás, Empraba e, em certa extensão, a Embraer
-o Brasil publica artigos cientívos considerávelmente, no entanto
possui um número muito baixo de patentes;
- nos países onde a indústria tem papel significativo na produção
científica e tecnológica o número de patentes é compatível com o número
de públicações (ex. EUA)
3) Por que empresas no Brasil não investem em C&T
-cultura de importação
-mercado dominado por multinacionais
-imediatismo (devido à economia instável)
4) Incentivo do governo
-pouco incentivo do governo brasileiro comparado com governos de países
desenvolvidos onde aproximadamente 10% do custo empresarial com
pesquisa e desenvolvimento é arcada pelo governo
-no Brasil se resume nos programas de financiamento do governo federal,
FINEP, e no caso estadual mais bem sucedido da FAPESP
5) Universidade brasileira
-no Brasil, 14% da população entre 18 e 24 anos tem acesso ao nível
superior. Bastante baixo comparado aos 30% no Chile, 50% nos EUA e 50%
no Reino Unido
-no entanto, o Brasil apresenta um dos melhores programas de
Pós-Graduação do hemisfério Sul.
Após as exposições foi aberta a sessão de perguntas contando com a
participação do público presente.
|