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Você está em: ABEP 'Eventos, Café Brasil 1'
 

Café Brasil 1 - Londres, 13 de Janeiro de 2001

1. Agenda:

- O presentes foram recebidos e apresentados ao formato do encontro pelo Presidente da ABEP;

- O socio e tesoureiro na atual diretoria, Agnaldo Portugal, começou efetivamente a reunião com uma revisão de 30 minutos dos conceitos filosóficos que embasaram o seu texto;

- Ao longo da discussão, cafés, pães de queijo e guaraná foram servidos;

- Em seguida, todos os presentes se alternaram por uma hora e trinta minutos, levantando muitos dos aspectos polêmicos do tema. Abaixo estão listados alguns deles.

- Finalmente, realizou-se o sorteio de uma assinatura anual da Revista Exame, quando o encontro foi encerrado.

 

2. Idéias/conceitos debatidos:

- definições e distinções de/entre vários conceitos:

- Ética, Política e Direito.

- moral, imoral e amoral;

- justo e injusto;

- justica como igualdade perante a lei e como tratamento desigual dos desiguais;

- responsabilidade e liberdade;

- explicação e justificação;

- a princípio, todos concordaram que se deve voltar ao Brasil após a conclusão de cursos pagos pelo governo brasileiro;

- a decisão de não voltar seria em principio um ato imoral;

- o conhecimento das regras e dificuldades do sistema já eram fatos conhecidos quando da assinatura do contrato. (neste ponto Agnaldo nos propôs um exercício mental de comparação de dois possíveis comportamentos do bolsista que decide nao regressar. O primeiro no momento da entrevista para conseguir a bolsa, e o segundo após a conclusão de seu curso - tentando se justificar para não voltar);

- porém, o ato de voltar não deve ser uma simples ação física e automática (voltar para cumprir um contrato). Necessariamente, deve envolver também compromisso com transferência de conhecimento;

- debateu-se também a sempre possível particularização das situações individuais. Ou seja, e muito comum o 'mal-hábito' de encontrarmos sempre uma desculpa, para nos apresentarmos como exceção a uma norma etica com a qual concordamos em principio.

- limitar-se a explicar certas condutas sem se perguntar por sua justificacao moral implica em reduzir o humano a mero objeto de conhecimento causal, que nao pode decidir livremente (ao menos em principio) que rumo dar a suas acoes. Essa eliminacao do campo especifico do juizo moral pode levar a uma visao instrumental dos seres humanos, que ficariam desprovidos de sua dignidade. Corre-se o risco, assim, de reduzir pessoas a coisas.

- a falta de estrutura para pesquisa no Brasil, embora um fato e grande problema, não pode ser utilizada como argumento válido para não voltarmos;

- falou-se também da histórica postura de muitos de esperar sempre os favores do Estado. Lembrou-se que políticos e burocratas têm de ser acionados e/ou pressionados. A política não é teatro para ficarmos assistindo, mas um campo para atuarmos. A omissão já e uma participação, só que é a pior delas.

- temos parte da responsabilidade de fazer acontecer as mudanças necessárias para o progresso de C&T no Brasil;

- também se lembrou que a falta de estrutura (sejam equipamentos, livros, pessoas etc.) só poderá ser mudada com a volta de quem foi contemplado com a oportunidade de estudar em centro mais avançados;

- o ato de voltar é um ato de confiança e coragem, além de ser um indicador incontestável de compromisso com mudanças e progresso;

- de que forma nós - que aqui estamos - poderemos influenciar, ou ajudar na formação de uma política foi um ponto que não foi muito produtivo. Porém, muitos concordaram que a mudança de atitude em direção de uma postura colaborativa e participativa fará grande diferença no futuro, particularmente após voltarmos para o país. A participação em entidades que lutam pelo avanco do setor cientifico no Brasil, como a SBPC por exemplo, foi lembrada como uma forma de ação para além da mera atividade intelectual cotidiana. Para aqueles realmente interessados no progresso da ciência no Brasil essa e uma boa alternativa de ação. Afinal, sem se dispor a colaborar para mudar, ficar reclamando de que a situação e ruim acaba sendo muito cômodo ou não mais do que uma desculpa para a má fé e os interesses exclusivamente individuais.